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Irã mantém Estreito de Ormuz fechado a 3 dias do fim da trégua com EUA
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Brasil/Mundo

Irã mantém Estreito de Ormuz fechado a 3 dias do fim da trégua com EUA

Redação com web

O Irã mantém o Estreito de Ormuz fechado em retaliação ao bloqueio dos Estados Unidos, elevando as tensões poucos dias antes do fim da trégua. Apesar de sinais de avanço nas negociações, autoridades iranianas afirmam que um acordo final ainda está distante, enquanto ataques a navios e novos focos de conflito, como no Líbano, aumentam a instabilidade regional e os impactos na economia global.

O estratégico Estreito de Ormuz permanece fechado neste domingo, 19, pelo Irã, em retaliação ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos. A medida acontece a apenas três dias do fim da trégua estabelecida entre os dois países em guerra, reacendendo tensões em um conflito que já abalou a economia mundial.

Embora o presidente Donald Trump tenha voltado a falar no sábado de “conversas muito boas” com o Irã, a versão que chega do lado iraniano é, mais uma vez, muito diferente. O presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, que representou Teerã no diálogo com Washington no Paquistão, afirmou que os países “registraram avanços”, mas que um acordo final “continua distante”.

O que aconteceu

  • O fechamento do estratégico Estreito de Ormuz pelo Irã, em retaliação ao bloqueio americano, acirra as tensões.
  • Após mais de um mês de embates, o anúncio de sexta-feira sobre a reabertura do corredor marítimo havia impulsionado os mercados financeiros, provocando uma queda expressiva nos preços do petróleo
  • O Líbano se torna outro foco de conflito, com ataques a capacetes azuis da ONU e advertências de Israel sobre o Hezbollah.

No sábado, poucas horas após a reabertura, o Irã anunciou a retomada do “controle rigoroso” de Ormuz, por onde, antes da guerra, transitavam 20% do fluxo global de hidrocarbonetos. Pouco depois do anúncio, pelo menos três navios comerciais que tentavam atravessar o estreito foram alvos de disparos.

“Qualquer tentativa de aproximação do Estreito de Ormuz será considerada cooperação com o inimigo e o navio infrator será tomado como alvo”, advertiu a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a ação iraniana como uma tentativa de “chantagear” seu país.

Negociações diplomáticas estagnadas?

O endurecimento das posições acontece enquanto continuam os esforços diplomáticos para tentar acabar com a guerra no Oriente Médio. Busca-se um acordo maior que o cessar-fogo de duas semanas entre Irã e Estados Unidos, iniciado em 8 de abril e que se encerra em breve. Uma primeira rodada de diálogos entre Estados Unidos e Irã, em 12 de abril no Paquistão, terminou sem acordo.

Na sexta-feira, Trump disse à AFP que um acordo de paz estava “muito próximo” e afirmou que o Irã havia aceitado entregar seu urânio enriquecido, outro ponto-chave das negociações. O Irã, no entanto, negou ter aceitado a transferência das reservas de material físsil. “A parte americana tuita muito, fala muito. Às vezes é confuso, às vezes, como vocês sabem, contraditório”, disse o vice-chanceler iraniano, Saed Khatibzadeh.

Enquanto isso, as manobras diplomáticas continuam. Durante uma viagem ao Irã, o comandante do Exército do Paquistão, mediador entre Washington e Teerã, entregou às autoridades iranianas “novas propostas” americanas, afirmou o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. “A República Islâmica do Irã está analisando as propostas e ainda não respondeu”, acrescentou.

Líbano e o novo front de tensões regionais

No Líbano, outro front da guerra, o Exército de Israel anunciou no sábado que estabeleceu uma “linha amarela” de demarcação no sul do país. O Exército israelense continua presente no país vizinho em uma faixa de dez quilômetros de profundidade a partir da fronteira, enquanto aguarda negociações para um acordo entre Líbano e Israel, em estado de guerra desde 1948.

Por ora, um cessar-fogo vigora entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah, após um mês e meio de conflito que deixou quase 2.300 mortos e um milhão de deslocados no Líbano. No entanto, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou no sábado que um soldado francês morreu e outros três ficaram feridos em um ataque contra capacetes azuis da ONU no Líbano. Tanto Macron quanto a missão da ONU apontaram o Hezbollah, que negou envolvimento.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou de modo veemente a ação contra a missão de paz. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, advertiu que seu país “ainda não terminou” o trabalho de conseguir o desarmamento do Hezbollah. Trump endureceu o tom e deixou claro a Israel que, a partir de agora, está “proibido” bombardear o Líbano.

Redação com web

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