Irã ameaça EUA e Israel com ataques ‘devastadores’
Irã ameaçou realizar ataques “devastadores” contra os Estados Unidos e Israel após declarações de Donald Trump sobre intensificar bombardeios. O conflito, que já dura mais de um mês, segue escalando com trocas de ataques e rejeição de propostas de acordo, causando impactos humanitários e econômicos globais, como alta no preço do petróleo e tensões em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz.
O Irã ameaçou retaliar com ataques “devastadores” os Estados Unidos e Israel, nesta quinta-feira, 2, após o presidente americano Donald Trump declarar que intensificará os bombardeios e fará a República Islâmica “voltar à Idade da Pedra”. As tensões escalam em um conflito que já dura mais de um mês, com graves consequências para a economia global.
O que aconteceu
- O Irã ameaça com ataques “devastadores” os EUA e Israel em resposta às declarações de Donald Trump.
- O presidente americano prometeu intensificar os bombardeios e fazer o Irã “voltar à Idade da Pedra”.
- O conflito, que já se estende por mais de um mês, causa graves impactos econômicos e humanitários no Oriente Médio.
Trump afirmou que os Estados Unidos estão “muito próximos” de alcançar seus objetivos, mas advertiu que intensificará os ataques se o Irã não aceitar um acordo para encerrar a guerra. “Nas próximas duas a três semanas, vamos fazê-los voltar à Idade da Pedra, de onde vieram”, disse o ex-presidente em um discurso na Casa Branca.
O conflito bélico começou há mais de um mês com os ataques americanos e israelenses contra o Irã e, desde então, propagou-se por todo o Oriente Médio, com graves consequências para a economia mundial.
Os bombardeios prosseguem e, nesta quinta-feira, o Ministério da Saúde iraniano relatou danos consideráveis no Instituto Pasteur, um centro de saúde fundamental em Teerã.
O Irã e a retórica de guerra
A República Islâmica perdeu muitos dirigentes políticos e militares de alto escalão, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, substituído por seu filho Mojtaba Khamenei, mas o país resiste, sem o registro de deserções na cúpula do poder.
A resposta do Irã ao discurso de Trump foi, mais uma vez, imediata. “Com a confiança em Deus Todo-Poderoso, esta guerra continuará até sua humilhação, desonra, arrependimento permanente e seguro, e rendição”, afirmou o comando militar iraniano, Khatam al-Anbiya, em comunicado divulgado pela televisão estatal.
“Aguardem nossas ações mais devastadoras, amplas e mais destrutivas”, acrescentou o comunicado.
O país prosseguiu com o lançamento de projéteis contra Israel, que anunciou o balanço de quatro pessoas levemente feridas na região de Tel Aviv. A situação obrigou muitos israelenses a celebrar a Páscoa judaica no subsolo para evitar os ataques iranianos.
“Esta não é minha primeira opção”, afirmou um escritor que se identificou apenas como Jeffrey em um bunker em Tel Aviv. “Mas, pelo menos aqui no abrigo, podemos sentar e esperar que passe”, acrescentou.
Quais as condições para um acordo de paz?
O presidente Donald Trump gesticula após discursar sobre a guerra com o Irã, no Cross Hall da Casa Branca
Trump mencionou recentemente a possibilidade de um acordo para obter o fim da guerra. O conflito provocou a disparada dos preços dos combustíveis e a queda de popularidade do presidente americano.
O republicano considera viável dialogar com os novos dirigentes iranianos, que, segundo ele, seriam “menos radicais e muito mais razoáveis” que seus antecessores.
Oficialmente, Teerã rejeitou as propostas de Washington e considera suas exigências “maximalistas e irracionais”. “Mensagens foram recebidas por meio de intermediários, entre eles o Paquistão, mas não há negociações diretas com os Estados Unidos”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqai, citado pela agência ISNA.
Trump advertiu que, se um acordo não for alcançado, Washington tem o olhar voltado para alvos cruciais, incluindo “as centrais elétricas do país”.
Os aiatolás, que reprimiram com grande violência as manifestações antigovernamentais em dezembro e janeiro, ainda possuem apoiadores incondicionais. “Esta guerra já dura um mês. Demore o tempo que precisar demorar, seguiremos em frente”, afirmou Musa Nowruzi, um aposentado de 57 anos, durante o funeral em Teerã de um comandante naval da Guarda Revolucionária morto durante um ataque israelense. “Resistiremos até o fim”, disse.
Impactos econômicos e a visão internacional
No Líbano, o grupo pró-iraniano Hezbollah anunciou o lançamento de drones e foguetes contra o norte de Israel. Segundo as autoridades libanesas, os ataques israelenses provocaram mais de 1.300 mortes desde o início da guerra entre Israel e o Hezbollah, em 2 de março.
Os países do Golfo, antes considerados um refúgio em uma região instável, foram arrastados para o conflito desde o primeiro dia. Trump prometeu não abandonar seus aliados na região, ou seja, Israel, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein.
O Estreito de Ormuz, uma rota marítima por onde passava 20% do petróleo e do gás mundial antes da guerra, é outra prioridade de Washington, que exige sua reabertura como condição para um cessar-fogo.
A Guarda Revolucionária do Irã prometeu manter o estreito fechado aos “inimigos” do país. O Reino Unido receberá, nesta quinta-feira, uma reunião de 35 países para debater como restabelecer a liberdade de navegação em Ormuz.
A China afirmou que os ataques “ilegais” contra o Irã são a “causa primordial” do bloqueio do estreito e exigiu um cessar-fogo imediato. O discurso de Trump não acalmou os mercados. Os preços do petróleo dispararam, com altas superiores a 6% do barril de Brent e de West Texas Intermediate.
O diretor-gerente do Banco Mundial, Paschal Donohoe, declarou à AFP que está “extremamente preocupado” com o impacto da guerra sobre a inflação, o emprego e a segurança alimentar.
* Com informações da AFP
