Irã afirma que não negociará com EUA e anuncia ataque ao gabinete de Netanyahu
O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, afirmou que o país não negociará com os Estados Unidos e negou tentativas de diálogo com o governo de Donald Trump após os recentes ataques americanos e israelenses. Em meio à escalada, a Guarda Revolucionária iraniana declarou ter lançado mísseis contra alvos em Israel, incluindo áreas em Tel Aviv, Haifa e Jerusalém Oriental, enquanto Israel anunciou bombardeios simultâneos no Irã e no Líbano e ameaçou o Hezbollah. Trump defendeu a ofensiva, admitiu a possibilidade de mais baixas e afirmou que a operação pode durar semanas.
O Irã “não negociará com os Estados Unidos”, afirmou nesta segunda-feira, 2, Ali Larijani, o poderoso chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional de Teerã.
Em uma publicação no X, Larijani negou as informações da imprensa de que as autoridades iranianas tentaram iniciar conversações com o governo de Donald Trump após a onda de ataques americanos e israelenses no fim de semana, que aconteceu após uma série de negociações nucleares entre Teerã e Washington.
Também nesta segunda-feira, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que lançou mísseis contra edifícios governamentais de Israel em Tel Aviv e contra instalações militares e de segurança em Haifa e em Jerusalém Oriental.
“Entre os alvos da 10ª onda, ocorreu um bombardeio ao complexo governamental do regime sionista em Tel Aviv, ataques contra centros militares e de segurança de Haifa e um bombardeio em Jerusalém Oriental”, anunciou o exército ideológico da República Islâmica em um comunicado.
Alguns dos alvos dos bombardeios iranianos foram o gabinete do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o quartel-general do comandante da Força Aérea de Israel. Israel não confirmou se o gabinete de Netanyahu foi realmente atingido.
Israel bombardeia Irã e Líbano
O Exército de Israel anunciou ataques simultâneos no Irã e no Líbano nesta segunda-feira, 2, e advertiu o movimento islamista libanês Hezbollah que pagará “caro” por abrir fogo contra o país.
“Neste momento, centenas de aviões da Força Aérea estão bombardeando simultaneamente o Líbano e o Irã”, disse o porta-voz militar, general Effie Defrin, na televisão.
“O Hezbollah abriu fogo durante a noite. Sabia exatamente o que estava fazendo. Nós advertimos e eles pagarão caro por isso”.
De acordo com o Ministério da Saúde libanês, as “incursões do inimigo israelense” nos subúrbios do sul de Beirute e no sul do Líbano “provocaram, segundo um balanço inicial, as mortes de 31 cidadãos e feriram 149 cidadãos”.
Trump defende ataques contra o Irã
No dominfo, 1º, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentou justificar a operação militar contra o Irã pela suposta necessidade de garantir a segurança de longo prazo dos Estados Unidos, além de preparar o terreno para mais baixas após o anúncio da morte de três soldados americanos.
“Infelizmente, é provável que haja mais antes que isso termine”, disse Trump em um vídeo publicado em sua plataforma Truth Social, em resposta à notícia das baixas.
“Os Estados Unidos vingarão suas mortes e desferirão o golpe mais duro contra os terroristas que declararam guerra, basicamente, à civilização”, afirmou o presidente republicano desde sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida.
Trump não se dirigiu diretamente à nação desde o início da guerra contra o Irã no sábado, mas publicou duas mensagens em vídeo, anunciou a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, em uma mensagem escrita, e concedeu entrevistas por telefone a vários meios de comunicação.
Em uma entrevista ao New York Times, ele declarou que os Estados Unidos estão preparados para que a operação dure “quatro ou cinco semanas”.
Sobre o futuro do país, e em particular sobre quem vai governar o Irã, Trump afirmou no domingo que tem “três bons” candidatos para administrar o Irã, em uma breve entrevista ao mesmo jornal.
“Tenho três boas opções”, afirmou Trump quando foi perguntado sobre quem gostaria de ver comandando o país. “Não os revelarei por enquanto. Vamos primeiro terminar o trabalho”, disse.
* Com informações da AFP