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Inflação registra em março maior alta em 1 ano e salta para 4,14% em 12 meses
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Economia

Inflação registra em março maior alta em 1 ano e salta para 4,14% em 12 meses

Redação com web

O IPCA subiu 0,88% em março, acima de fevereiro (0,70%) e das expectativas do mercado, acumulando 4,14% em 12 meses. A alta foi puxada principalmente pelos setores de Transportes (com destaque para gasolina) e Alimentação (como leite e tomate), influenciados pelo aumento do petróleo e tensões internacionais. As projeções indicam que a inflação pode fechar 2026 acima da meta, pressionada por combustíveis, alimentos, mercado de trabalho aquecido e possível desvalorização do real.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, acelerou para 0,88% em março, ante taxa de 0,70% registrada em fevereiro, informou nesta sexta-feira, 10, o IBGE.

Em 12 meses, o índice saltou para 4,14%, acima dos 3,81% observados nos 12 meses imediatamente anterior, quando o IPCA ficou abaixo de 4% pela primeira vez na janela de um ano desde maio de 2024. Veja aqui o detalhamento.

O resultado veio acima do esperado. Pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de alta de 0,77% em março, acumulando em 12 meses alta de 4%.

A inflação de março foi a mais alta desde fevereiro de 2025, quando havia subido 1,31%. Considerando apenas meses de março, a taxa foi a mais elevada desde 2022, quando foi de 1,62%.

Reflexos da guerra e disparada do petróleo

A alta no mês de março foi puxada pelos preços dos grupos Transportes e Alimentação e bebidas que, juntos, responderam por 76% do IPCA de março, refletindo o efeito das incertezas no cenário internacional em meio ao conflito do Oriente Médio e disparada do preço do petróleo.

Nos Transportes, a alta mais relevante foi a da gasolina (4,59%), com impacto de 0,23 pontos percentuais na inflação do mês. Outras altas ocorreram em passagem aérea (6,08%) e diesel (13,90%), embora com menos impacto, devido aos menores pesos desses subitens no índice geral.

Entre os alimentos, as principais pressões foram nos preços do leite longa vida (11,74%) e tomate (20,31%).

Para Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa, “no grupo alimentação, em especial na alimentação em casa, a aceleração no nível de preços foi mais evidente, com a alta de 1,94%, a maior desde abril de 2022 (2,59%), combinando efeitos de redução de oferta de alguns produtos com altas do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros”.

Meta de inflação e expectativas

O centro da meta oficial para a inflação é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos

Segundo o último boletim Focus do Banco Central, a previsão para o IPCA ao final de 2026 subiu de 4,31% para 4,36%. Antes do início da guerra, os analistas projetavam inflação abaixo de 4% neste ano.

“Embora a inflação tenha superado as expectativas em intensidade e composição, entendemos que o resultado deve ser analisado com cautela, dado o peso do conflito internacional. Preliminarmente nossa projeção para o IPCA de 2026 se elevou de 4,7% para 4,8%”, avaliou Guilherme Sousa, da Ativa Investimentos.

O C6 Bank passou a projetar de que o IPCA encerrará o ano em 4,8%, acima do intervalo de tolerância da meta, de 4,5%. “No curto prazo, as medidas anunciadas pelo governo, que incluem subsídios e redução de impostos, devem limitar os efeitos da alta do petróleo sobre a inflação, mas outros impactos sobre os combustíveis e os alimentos ainda podem surgir mais à frente. Além disso, o mercado de trabalho aquecido e a perspectiva de desvalorização do real devem fazer com que os preços voltem a acelerar no segundo semestre”, afirma a economista Claudia Moreno.

Redação com web

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