Governo já prepara retaliação caso EUA confirmem tarifaço contra produtos brasileiros
A dois dias da decisão final
O governo federal já trabalha com a forte possibilidade de os Estados Unidos confirmarem um novo tarifaço sobre produtos brasileiros. A dois dias da decisão final, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter as negociações até o último momento, mas o Palácio do Planalto também prepara medidas de retaliação com base na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso.
Se a medida for confirmada, as tarifas americanas sobre importações do Brasil subirão 25% e, em alguns casos, poderão chegar a 37,5% em razão de uma investigação paralela sobre sobre ausência de política para coibir importações de produtos feitos com trabalho forçado em outros países. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 4 mil produtos podem ser afetados, entre eles açúcar, álcool e alumínio, com impacto estimado em US$ 15 bilhões nas exportações brasileiras.
O setor produtivo também aguarda uma possível ampliação da lista de exceções às tarifas. A investigação conduzida pelos Estados Unidos foi aberta em julho do ano passado por determinação do presidente Donald Trump. O governo americano questiona o funcionamento do Pix, alegando que o Banco Central atua de forma indevida ao exercer simultaneamente as funções de regulador e operador do sistema de pagamentos. Washington também critica decisões da Justiça brasileira que determinaram a suspensão de perfis em plataformas digitais.
Na última sexta-feira, Lula se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com o ministro interino do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. A posição do governo brasileiro é de que as tarifas são injustificáveis e de que o Pix é um tema inegociável.
Após uma reunião ministerial sobre minerais estratégicos, Lula voltou a comentar o impasse comercial. O presidente afirmou que as chamadas terras raras podem garantir soberania financeira ao Brasil e disse que Donald Trump deveria se preocupar com o Brasil, e não apenas com a China.