EUA resgatam piloto de caça abatido no Irã; Trump elogia ação audaciosa
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (5) o resgate do segundo piloto de um caça F-15E abatido no Irã, descrevendo a operação como uma das “mais audaciosas da história” americana. O militar estava em território inimigo após a aeronave ser derrubada, com militares iranianos reivindicando a autoria. A ação ocorre em meio a tensões crescentes e um conflito velado entre os dois países.
O que aconteceu
- Forças especiais dos EUA resgataram o segundo piloto de caça F-15 abatido no Irã, em uma operação descrita por Donald Trump como “audaciosa”.
- O militar estava em solo iraniano e foi alvo de uma corrida contra o tempo entre forças americanas e iranianas, que haviam oferecido recompensa por sua captura.
- A operação de resgate, que envolveu dezenas de aeronaves, culminou em tiroteio e ocorreu no contexto de um conflito que já causou baixas militares dos EUA.
A aeronave, um caça-bombardeiro F-15E, caiu no sudoeste do Irã, e seus dois ocupantes ejetaram em pleno voo. Os militares iranianos reivindicaram a autoria do abate e as autoridades ofereceram uma recompensa pela captura do segundo piloto. O primeiro foi resgatado pouco depois, durante uma operação das forças especiais americanas.
“Nós o pegamos! Meus compatriotas americanos, nas últimas horas, as Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram uma das operações de busca e resgate mais audaciosas da história do nosso país, para resgatar um de nossos incríveis oficiais da tripulação aérea, que também é um coronel altamente respeitado”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
“Tenho o prazer de informar que ele está agora SÃO E SALVO”, acrescentou o presidente. Mais tarde, Trump declarou que o piloto resgatado no Irã está “gravemente ferido”. “Resgatamos, das profundezas das montanhas do Irã, o membro da tripulação/oficial de um F-15, gravemente ferido e realmente corajoso”, disse Trump em sua plataforma Truth Social.
Irã diz que abateu aeronave durante resgate
Após o anúncio de Trump, a Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do Irã, anunciou que havia abatido outra aeronave americana que participava da operação de resgate.
Trump disse que os militares dos EUA usaram “dezenas de aeronaves, armadas com as armas mais letais do mundo, para resgatá-lo”.
“Este bravo guerreiro estava atrás das linhas inimigas nas traiçoeiras montanhas do Irã, sendo caçado por nossos inimigos, que se aproximavam cada vez mais a cada hora”, disse o líder americano.
Ele disse que o oficial “nunca esteve realmente sozinho”, pois os militares estavam “monitorando sua localização 24 horas por dia”.
“Resgate sob intenso tiroteio”
Citando uma autoridade do governo americano não identificada, a emissora Al Jazeera disse que o oficial foi resgatado após um “intenso tiroteio”.
De acordo com o New York Times, o militar foi transportado de avião para o Kuwait para tratamento. Duas aeronaves de transporte, inicialmente destinadas a resgatar o homem e as forças especiais, ficaram retidas no Irã, de acordo com um oficial militar americano citado pelo jornal.
Isso levou ao envio de três aeronaves de substituição para resgatar as tropas. As duas aeronaves que ficaram para trás foram destruídas para evitar que caíssem nas mãos do Irã, segundo o oficial.
Imagens de vídeo mostram forças iranianas atirando contra helicópteros americanos numa tentativa de obstruir os esforços de resgate, informou o diário The Wall Street Journal.
Laurel Rapp, diretora do programa EUA e América do Norte da Chatham House, disse à BBC que, se o Irã encontrasse o tripulante primeiro, isso representaria um “grande prêmio” para Teerã e lhe daria uma vantagem significativa nas negociações para encerrar a guerra iniciada pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro.
A mídia iraniana informou que grandes somas de até 100 mil dólares (R$ 516 mil) foram oferecidas como recompensa pela captura do soldado.
Após o intenso bombardeio da infraestrutura militar iraniana, o governo Trump sugeriu repetidamente que as aeronaves americanas não correm mais o risco de serem atacadas no espaço aéreo iraniano. Ao anunciar o resgate do segundo militar no domingo, Trump repetiu essa afirmação.
“O fato de termos conseguido realizar ambas as operações, sem que UM ÚNICO americano fosse morto ou sequer ferido, prova mais uma vez que alcançamos domínio e superioridade aérea esmagadores sobre o espaço aéreo iraniano”, escreveu ele.
Pentágono detalha baixas militares
A guerra lançada pelos EUA contra o Irã custou às Forças Armadas americanas até o momento um saldo de 13 mortos e 365 feridos, revelou o Pentágono na sexta-feira (03/04).
Os números foram detalhados pelo Sistema de Análise de Baixas da Defesa, que reportou que, dos 365 militares feridos em combate, 247 pertencem ao Exército americano.
Sessenta e três feridos são da Marinha, 19 dos Fuzileiros Navais e 36 da Força Aérea.
Quanto aos 13 mortos, sete eram do Exército e seis da Força Aérea.
Os números divulgados não incluem quaisquer baixas ou ferimentos que possam ter ocorrido ao longo de sexta-feira, quando as forças iranianas abateram dois aviões americanos e alvejaram pelo menos um helicóptero.
Com informações da Deutsche Welle, AP, Reuters, DPA