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EUA expressam otimismo com conversas entre Israel e Líbano
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Brasil/Mundo

EUA expressam otimismo com conversas entre Israel e Líbano

Redação com web

Os Estados Unidos, sob liderança de Donald Trump, demonstraram otimismo nas negociações com o Irã e tentam mediar um diálogo entre Israel e Líbano, embora haja incerteza sobre a realização de conversas diretas. A iniciativa ocorre em meio ao conflito entre Israel e o Hezbollah, com ataques mútuos e pressão por cessar-fogo. Paralelamente, seguem negociações sobre o programa nuclear iraniano e tensões estratégicas envolvendo o Estreito de Ormuz, aumentando os riscos para a estabilidade regional e econômica global.

O governo dos Estados Unidos expressou otimismo com as negociações com o Irã e intensificou esforços de mediação no Oriente Médio, anunciando que “líderes” de Israel e Líbano conversariam nesta quinta-feira, 16. A informação, corroborada por uma ministra israelense, não foi confirmada por Beirute, gerando incerteza sobre a efetivação do diálogo direto. O presidente americano, Donald Trump, havia afirmado que os dois líderes não se falavam há quase 34 anos.

O que aconteceu

  • O governo dos EUA busca mediação entre Israel e Líbano, com Donald Trump anunciando conversas diretas, mas Beirute nega conhecimento oficial do encontro.
  • A iniciativa ocorre em meio a um conflito armado entre Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah, com ataques mútuos e apelos por um cessar-fogo imediato.
  • Paralelamente, Washington manifesta otimismo sobre uma nova rodada de negociações com o Irã, focadas no programa nuclear civil e no estratégico Estreito de Ormuz.

O presidente americano, Donald Trump, havia divulgado em sua rede Truth Social na noite de quarta-feira que Washington buscava “criar um pouco de espaço para respirar entre Israel e Líbano”. Ele mencionou que “faz muito tempo que os dois líderes não conversam, quase 34 anos. Vai acontecer amanhã. Ótimo!”.

A declaração de Trump sucedeu o encontro, realizado na terça-feira, entre os embaixadores dos dois países em Washington. Este diálogo diplomático se insere no complexo contexto da guerra entre Israel e o Hezbollah, grupo libanês pró-iraniano.

Incerteza no diálogo direto

Contudo, uma fonte oficial libanesa negou à AFP ter conhecimento da conversa anunciada por Trump. “Não estamos a par de qualquer contato previsto com a parte israelense e não fomos informados sobre isso pelos canais oficiais”, declarou a fonte.

Por outro lado, a ministra israelense da Inovação, Gila Gamliel, assegurou que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu “conversará pela primeira vez” com o presidente libanês, Joseph Aoun, “após tantos anos de ruptura total do diálogo entre os dois países”.

Gamliel expressou a expectativa de que “a iniciativa conduza finalmente à prosperidade e ao desenvolvimento do Líbano como Estado”, em declaração à rádio militar.

Cessar-fogo como ponto de partida

A reunião diplomática em Washington, na terça-feira, entre Líbano e Israel — países que estão tecnicamente em guerra há décadas — marcou o primeiro diálogo direto de alto nível entre as partes desde 1993.

O Líbano foi envolvido no conflito do Oriente Médio em 2 de março, após o Hezbollah atacar Israel. Este ataque foi uma retaliação aos bombardeios israelense-americanos contra o Irã, que iniciaram o conflito em 28 de fevereiro.

Autoridades libanesas informam que os ataques israelenses resultaram na morte de mais de 2.000 pessoas e deixaram, ao menos, um milhão de deslocados internos no Líbano.

Em comunicado emitido nesta quinta-feira, o presidente libanês reiterou a importância de um cessar-fogo. Ele o considera o “ponto de partida natural para as negociações diretas entre os países”, embora não tenha confirmado o processo em si.

As forças israelenses atualmente ocupam partes do sul do Líbano. O governo de Israel mantém a posição de que não considerará um cessar-fogo enquanto o Hezbollah não for desmantelado.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, na quarta-feira, reiterou que “o desmantelamento” do Hezbollah é o objetivo primordial das negociações entre Israel e Líbano.

O Hezbollah, por sua vez, reivindicou nesta quinta-feira diversos ataques contra posições militares no norte de Israel, afirmando ter lançado drones contra Hanita e os quartéis da região de Liman.

A agência oficial de notícias libanesa (ANI) reportou que Israel realizou dois ataques no sul do país, mirando a ponte de Qasmiyeh. Esta ponte, que ligava a região de Tiro a Sidon, foi “completamente destruída”.

A ANI também noticiou a morte de uma pessoa em um ataque israelense contra um veículo, ocorrido na rodovia que conecta Beirute, capital libanesa, a Damasco, capital da Síria.

Qual o futuro do programa nuclear iraniano?

Washington intensifica a pressão pelo fim do conflito no Líbano, temendo que a escalada ponha em risco o cessar-fogo com o Irã, em vigor desde 8 de abril. A administração americana busca uma solução para a guerra que tem abalado fortemente a economia global.

Após o insucesso das negociações com o Irã realizadas no fim de semana em Islamabad, Washington anunciou que está planejando uma segunda rodada de conversações na capital do Paquistão.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que “estas conversas estão sendo realizadas”, embora ainda sem nada oficial. Leavitt indicou que o governo americano mantém “otimismo em relação às perspectivas de um acordo”.

Mediação e bloqueio estratégico

O otimismo americano surge após uma intensa viagem diplomática de quatro dias do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. Durante a missão, Sharif se reuniu na quarta-feira com o príncipe-herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman.

Esmaeil Baqaei, porta-voz da diplomacia iraniana, confirmou que “várias mensagens foram trocadas com a mediação do Paquistão” nos últimos três dias. Baqaei, contudo, reiterou uma exigência crucial do Irã: o direito do país a um programa nuclear civil. Ele abriu, entretanto, a possibilidade de debates sobre “o nível e o tipo de enriquecimento” de urânio.

Outro ponto crucial do conflito entre Estados Unidos e Irã é o estratégico Estreito de Ormuz. Antes da guerra, 20% do petróleo e gás mundial transitavam por esta passagem vital. Teerã mantém o bloqueio ao Estreito de Ormuz, enquanto Washington impõe, desde segunda-feira, um bloqueio aos navios que partem ou se dirigem aos portos iranianos.

Na quarta-feira, o Exército americano anunciou ter impedido a saída de dez navios dos portos iranianos. Em retaliação, o Exército iraniano levantou a ameaça de um bloqueio ao Mar Vermelho, além de manter o controle sobre o Estreito de Ormuz. Mohsen Rezaei, conselheiro do líder supremo iraniano, ameaçou afundar navios americanos caso estes tentem atuar como “polícia” na área do Estreito.

Com informações da AFP

Redação com web

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