EUA e Irã se preparam para rodada de negociações de paz no Paquistão
A cidade de Islamabad entrou em lockdown para sediar negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, mediadas pelo primeiro-ministro Shehbaz Sharif, em meio a um cessar-fogo frágil e violado. O conflito se intensificou após ataques de Israel no Líbano e divergências sobre o acordo, incluindo o papel do Hezbollah e a questão nuclear iraniana. Com tensões envolvendo o Estreito de Ormuz e ameaças de ambos os lados, a reunião busca evitar uma escalada maior no Oriente Médio.
A capital do Paquistão, Islamabad, amanheceu em lockdown nesta sexta-feira, 10, marcando o início de uma movimentação diplomática que visa encerrar o conflito no Oriente Médio. Sob a mediação do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, delegações do alto escalão dos Estados Unidos e do Irã se preparam para negociar um acordo de paz definitivo, enquanto um cessar-fogo de duas semanas, anunciado na terça-feira, 7, segue sendo violado.
O ponto central da crise está na divergência de interpretação sobre o que foi acordado. Enquanto o Irã e o Paquistão sustentam que a trégua de duas semanas deveria paralisar os combates em todas as frentes, incluindo o Líbano, os EUA e Israel agiram sob a premissa de que o Hezbollah não estava contemplado no acordo.
O resultado dessa discordância foi o bombardeio israelense mais letal da história recente do Líbano, ocorrido na quarta-feira, 8, que deixou centenas de vítimas e acabou sendo usado como justificativa para o Irã retomar o controle restritivo do Estreito de Ormuz, a principal rota do petróleo global.
Sobre a mesa de negociações, está as diferentes visões sobre a soberania nuclear. O Irã insiste em um “plano de dez pontos“, que prevê o direito ao enriquecimento de urânio — ponto que Teerã alega ter sido aceito por Washington, mas que foi prontamente negado por Donald Trump. Já o presidente dos EUA prometeu remover todo o material nuclear do solo iraniano, alertando que o país permanece sob vigilância rigorosa. Essa inconsistência nas versões oficiais sugere que as delegações chegam a Islamabad sem sequer um documento base comum.
A delegação estadunidense, liderada pelo vice-presidente JD Vance e composta por figuras influentes como Jared Kushner e Steve Witkoff, só deve aterrissar no sábado, 11. Por outro lado, o Paquistão já enfrenta suas próprias crises diplomáticas após trocas de insultos entre seus ministros e o governo israelense.
Entre as ameaças de Trump de “fazer o petróleo fluir à força” e a intenção iraniana de cobrar taxas inéditas pela navegação no Estreito de Ormuz, a reunião em Islamabad começa não como uma celebração da paz, mas como um esforço para evitar que uma trégua frágil se transforme em uma guerra regional.
O desfecho desta reunião em Islamabad definirá se a diplomacia ainda possui influência para conter o conflito, ou se o Oriente Médio pode entrar em uma nova fase de hostilidades, desta vez com o envolvimento direto e declarado das maiores potências militares da região.