‘Estou considerando explodir tudo e assumir o controle do petróleo’, ameaça Trump sobre acordo com Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou neste domingo, 5, sua retórica contra o Irã, dizendo que a infraestrutura iraniana “incluindo usinas de energia e pontes” será alvo de ataques na próxima terça-feira, 7, se o Estreito de Ormuz não for reaberto.
Em uma mensagem na plataforma Truth Social, Trump afirmou que a ação seria inédita e que “não haverá nada igual”, descrevendo os possíveis ataques como um dia marcado para atingir “pontes e usinas”.
“Terça-feira será o Dia das Usinas de Energia e o Dia das Pontes, tudo em um só, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram a p*** do estreito, seus bastardos loucos, ou vocês vão viver no inferno ? é só esperar! Louvado seja Alá”, escreveu.
Pouco depois, declarou ao canal Fox News que há oportunidades de chegar a um acordo com o Irã na segunda-feira e reiterou suas ameaças.
“Se não fecharem um acordo, e rápido, estou considerando explodir tudo e assumir o controle do petróleo”, acrescentou.
Ameaças aumentam incertezas econômicas
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã mantém um duro controle sobre o estreito como medida de pressão. Com isso, a guerra desferiu um duro golpe na economia mundial, com os ataques iranianos de represália contra aliados dos Estados Unidos no Golfo e o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% das exportações mundiais de hidrocarbonetos.
No sábado, Trump deu ao Irã um ultimato de 48 horas para alcançar um acordo que permita desbloquear Ormuz, caso contrário, desencadearia o “inferno” sobre a República Islâmica.
O fechamento do Estreito de Ormuz cortou as exportações dos membros da Opep+ Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuweit e Iraque, os únicos países do grupo que conseguiram aumentar significativamente a produção mesmo antes do início do conflito.
Os preços do petróleo subiram para uma máxima de quatro anos próxima a US$ 120 por barril, o que se traduziu em um aumento dos preços dos combustíveis para transporte que está pressionando os consumidores e as empresas em todo o mundo e desencadeando ações governamentais para conservar os suprimentos.
Opep+ concorda em aumentar produção quando Ormuz for reaberto
A Opep+ concordou, neste domingo, em aumentar suas cotas de produção de petróleo em 206 mil barris por dia para maio, um aumento modesto que ficará apenas no papel, já que seus principais membros não conseguem aumentar a produção devido à guerra entre os Estados Unidos e Israel com o Irã.
O ajuste da produção será concretizado mediante um aumento da atividade de oito países da aliança – Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã.
Em um comunicado prévio, estes países alertaram que o reparo da infraestrutura energética danificada nos recentes ataques “é custoso e levará muito tempo”, o que pode impactar a oferta de petróleo a futuro.
O aumento da cota da Opep+ de 206.000 bpd representa menos de 2% do suprimento interrompido pelo fechamento de Ormuz, mas sinaliza a disposição de aumentar a produção assim que a hidrovia for reaberta, disseram fontes da Opep+. A consultoria Energy Aspects chamou o aumento de “acadêmico” enquanto persistirem as interrupções no estreito.
“Na realidade, isso acrescenta pouquíssimos barris ao mercado”, disse Jorge Leon, ex-funcionário da Opep que agora trabalha como chefe de análise geopolítica da Rystad Energy.
“Quando o Estreito de Ormuz estiver fechado, os barris adicionais da Opep+ se tornarão praticamente irrelevantes.”
Instalações produtivas como alvo
Em resposta à ofensiva de Israel e EUA, o Irã continuou atacando, neste domingo, infraestruturas críticas dos países do Golfo, aos quais acusa de permitir que as tropas americanas utilizem seu território para as operações militares.
As autoridades dos Emirados Árabes Unidos relataram um incêndio em uma instalação petroquímica, após a interceptação de disparos iranianos.
No Bahrein, um ataque com drone iraniano provocou o incêndio de um depósito da companhia petrolífera estatal.
O Kuwait anunciou danos em usinas de eletricidade e de dessalinização de água, assim como em um complexo ministerial na capital.
O exército iraniano afirmou ter atacado alvos militares no Kuwait, bem como a indústria de alumínio nos Emirados, que acusam de servir para produzir peças destinadas a aviões, mísseis e veículos blindados americanos.
Também neste domingo, o assessor presidencial dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, disse que o país está disposto a participar de qualquer iniciativa internacional liderada pelos Estados Unidos para garantir a segurança da navegação pelo Estreito de Ormuz.
Gargash disse, ainda, que a estratégia iraniana “vai consolidar o papel dos Estados Unidos” na região e também fará com que “a influência de Israel” seja “mais preponderante”.
*Com informações de AFP, Ansa e Reuters