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Escalada de ataques no Líbano ameaça cessar-fogo entre EUA e Irã
Divulgação
Brasil/Mundo

Escalada de ataques no Líbano ameaça cessar-fogo entre EUA e Irã

Redação com web

Os ataques recentes de Israel no Líbano, que deixaram centenas de mortos, aumentaram a tensão na região e levaram líderes internacionais a pedir que o país seja incluído no cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O grupo Hezbollah retomou ataques contra Israel, alegando violação da trégua, enquanto cresce o risco de uma escalada maior. Ao mesmo tempo, a instabilidade ameaça o estratégico Estreito de Ormuz, essencial para o transporte global de petróleo, aumentando a preocupação internacional com impactos econômicos e de segurança.

Em meio a temores crescentes de desestabilização regional, apelos internacionais se intensificam para que o Líbano seja incluído no frágil cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, enquanto Israel intensifica seus ataques no território libanês.

O que aconteceu

  • Apelos para incluir o Líbano no cessar-fogo EUA-Irã ganham força, temendo escalada regional.
  • Ataques israelenses no Líbano matam centenas, gerando condenação internacional e resposta do Hezbollah.
  • Reabertura do estratégico Estreito de Ormuz é ameaçada pela instabilidade e disputas sobre controle iraniano.

O Líbano enfrentou os piores bombardeios de Israel desde o início de sua ofensiva em 2 de março, enquanto o Hezbollah retomou seus ataques contra Israel, após acusar o país de ter violado a trégua temporária. A última onda massiva de ataques israelenses no Líbano matou mais de 200 pessoas, segundo autoridades do país.

“As ações israelenses estão colocando o cessar-fogo entre EUA e Irã sob forte pressão. A trégua com o Irã deve se estender ao Líbano”, disse a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas.

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, condenou os ataques como “inaceitáveis”, enquanto sua homóloga britânica, Yvette Cooper, pediu que o cessar-fogo inclua o Líbano.

O gabinete do primeiro-ministro libanês disse que quinta-feira seria “um dia nacional de luto pelos mártires e feridos dos ataques israelenses que alvejaram centenas de civis inocentes e indefesos”.

A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, também pediu que o Líbano seja incluído no cessar-fogo pactuado entre Estados Unidos e Irã, sob o risco de desestabilização de toda a região do Oriente Médio.

“A escalada que vimos ontem por parte de Israel foi, na minha opinião, profundamente prejudicial, e queremos que as hostilidades no Líbano cessem”, acrescentou Cooper em declarações à emissora Radio Times, depois que EUA e Irã alcançaram uma trégua de duas semanas para frear a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.

A titular da diplomacia britânica ressaltou, além disso, a ameaça representada pelo Hezbollah, aliado do Irã, afirmando que “é fundamental que os governos israelense e libanês colaborem para enfrentar esta ameaça”.

“Mas não queremos uma escalada. Queremos que o cessar-fogo e o fim das hostilidades também incluam o Líbano”, insistiu.

Após o acordo de cessar-fogo alcançado por Irã e EUA, ambos os países esperam retomar as negociações no Paquistão para trabalhar sobre um plano de dez pontos apresentado por Teerã que inclui, entre outros itens, o controle iraniano de Ormuz.

Minas ameaçam passagem no Estreito de Ormuz

A Guarda Revolucionária do Irã (CGRI) compartilhou nesta quinta-feira um mapa com rotas alternativas para o trânsito no Estreito de Ormuz, um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitar o plano de dez pontos apresentado por Teerã e dar início a um cessar-fogo de duas semanas entre os países.

Devido à guerra, que começou em 28 de fevereiro, e “diante da presença de diversos tipos de minas antinavio” na zona, a agência de notícias “Tasnim”, vinculada ao corpo de elite das Forças Armadas iranianas, indicou que as embarcações que transitarem pelo estreito “deverão coordenar-se com a CGRI e, até novo aviso, utilizar as rotas alternativas para o trânsito” por esta estratégica via.

Segundo a imprensa iraniana, será estabelecida uma rota de entrada e outra de saída: a primeira irá do mar de Omã em direção ao norte, até a ilha de Larak, e dali ao Golfo Pérsico, enquanto a segunda seguirá o trajeto inverso, ambas conforme o mapa que a “Tasnim” compartilhou no Telegram.

Após registrar quedas drásticas de tráfego de até 97% após o início da guerra, o movimento no Estreito de Ormuz começou a ser retomado com cautela na quarta-feira, depois de EUA e Irã estabelecerem uma trégua de duas semanas que permitirá a “passagem segura” pela via.

No entanto, na própria quarta-feira, Teerã anunciou uma interrupção da navegação de navios petroleiros como resposta aos massivos bombardeios surpresa que Israel lançou contra o Líbano, informação que foi negada pela Casa Branca.

Horas antes do acordo, Teerã assegurou que seu plano estipula um “protocolo de segurança” para garantir o “controle” iraniano desta passagem estratégica, por onde, antes da guerra, circulava cerca de 20% das energias fósseis mundiais.

A reabertura de Ormuz tem sido uma demanda da comunidade internacional e, especialmente, de Trump, que ameaçou reiteradamente atacar e “arrasar” as centrais elétricas e as pontes do Irã caso o estreito não fosse reaberto.

O presidente americano chegou inclusive a afirmar que todo o país poderia ser “aniquilado em uma única noite” e que voltaria à “Idade da Pedra”.

Líbano decreta luto e condena ataques

O Líbano decretou um dia de luto nacional após os ataques israelenses em Beirute, que mataram quase 200 pessoas.

Após um acordo para uma pausa de duas semanas na guerra, tanto os EUA quanto o Irã reivindicaram a vitória. No entanto, ambos os lados contestam a inclusão do Líbano no acordo de cessar-fogo, o que evidenciou a fragilidade do cessar-fogo. Após o anúncio do cessar-fogo, Israel realizou os ataques mais mortais no Líbano nas últimas semanas, que mataram pelo menos 200 pessoas.

Em termos incomumente fortes, o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou “inequivocamente” os ataques israelenses no Líbano, de acordo com um comunicado de seu porta-voz, Stéphane Dujarric.

No Líbano, onde o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, classificou a escala das mortes como “horrível”, os ataques repentinos em Beirute desencadearam horror e pânico.

Hezbollah reage e guerra segue no Líbano

O grupo xiita libanês Hezbollah anunciou na madrugada desta quinta-feira ter lançado novos ataques contra Israel, acusando o país de ter violado o acordo de cessar-fogo alcançado entre Irã e Estados Unidos, que tanto os governos israelense e americano alegam que não inclui a frente de combate aberta no Líbano.

Aliado do Irã, o Hezbollah disse que seus ataques continuarão até que a “agressão americana e israelense” contra o país termine e afirmou agir em “defesa do Líbano e seu povo e em resposta à violação do inimigo do acordo de cessar-fogo”.

Este foi o primeiro ataque do Hezbollah desde o anúncio da trégua temporária.

O grupo também afirmou que havia se “comprometido” com a cessação das hostilidades, mas que a outra parte não o fez.

O Paquistão, que atuou como mediador do pacto entre EUA e Irã, anunciou nesta quarta-feira que o cessar-fogo incluía todas as partes do conflito no Oriente Médio, como o Líbano.

No entanto, o governo de Israel pronunciou-se mais tarde para especificar que o Líbano não estava nas conversas, pois se trataria de um conflito bilateral, e a Casa Branca apoiou essa posição.

Também nesta quarta-feira, Israel lançou sua ofensiva mais forte no Líbano no atual conflito, com uma série de ataques que mataram mais de 250 pessoas em um único dia.

As Forças de Defesa de Israel (FDI) justificaram o massacre alegando que o Hezbollah se deslocou de seus tradicionais redutos para bairros mistos de Beirute, a capital libanesa, que foi o alvo da maioria dos bombardeios.

O Hezbollah informou que seu ataque foi direcionado contra a cidade israelense de Al Manar.

Veículos de imprensa israelenses relataram ter identificado ataques no norte do país, citando as FDI.

Depois dos bombardeios israelenses de quarta-feira, o grupo xiita já havia assegurado que se vingaria e que o sangue das vítimas “não seria derramado em vão”.

A frente do conflito no Líbano foi reativada quando o Hezbollah lançou ataques contra Israel como represália à operação conjunta entre Washington e Tel Aviv contra o Irã em 28 de fevereiro.

Desde então, Israel lançou uma dura ofensiva contra o país vizinho, com saldo de mais de 1.700 mortes.

* Com informações da DW

Redação com web

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