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Entenda por que as pessoas dão mais choque no inverno europeu e na seca de Brasília
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Brasil/Mundo

Entenda por que as pessoas dão mais choque no inverno europeu e na seca de Brasília

Redação com web

Os choques frequentes em climas secos, comuns tanto no inverno europeu quanto na estiagem de Brasília, são causados pela eletricidade estática gerada pelo atrito entre materiais, fenômeno conhecido como efeito triboelétrico. Com a baixa umidade do ar, a carga elétrica se acumula na pele e nas roupas e é liberada de forma súbita ao tocar em objetos condutores, provocando a faísca e a dor momentânea. Embora inofensivos, esses choques podem ser evitados com hidratação da pele, uso de tecidos naturais, umidificação dos ambientes e pequenas estratégias de aterramento no dia a dia.

Seja ao tocar na maçaneta de uma porta em Berlim ou ao cumprimentar um colega de trabalho em Brasília, a sensação é a mesma: um estalo seco, uma faísca visível e uma dor aguda momentânea. Para quem reside em regiões de clima frio ou enfrenta a rigorosa estiagem do Centro-Oeste brasileiro, a sensação de ter se transformado em um “fio desencapado” não é apenas uma força de expressão, mas um fenômeno físico frequente.

  • A baixa umidade relativa do ar é a principal responsável pelo acúmulo de cargas elétricas.
  • O atrito entre materiais diferentes gera um excesso de elétrons ($e^-$) no corpo humano.
  • Em Brasília, a umidade pode cair abaixo de 10%, níveis comparáveis aos de desertos.
  • Hidratação da pele e escolha de tecidos naturais são as melhores defesas contra os choques.

A Ciência da Faísca: O Efeito Triboelétrico

O que popularmente chamamos de “levar choque” é, na verdade, uma descarga eletrostática. O processo começa com o atrito: quando dois materiais entram em contato e se separam (como caminhar sobre um tapete ou retirar um casaco de lã), ocorre uma transferência de cargas. Esse fenômeno é conhecido como efeito triboelétrico.

Nosso corpo acumula um excesso de elétrons, as partículas de carga negativa ($e^-$). Em condições normais de umidade, essa carga se dissipa constantemente para o ambiente através das moléculas de água presentes no ar, que atuam como condutoras naturais. Contudo, em climas secos, o ar torna-se um excelente isolante elétrico. Sem ter para onde ir, a eletricidade permanece “estacionada” na superfície da pele ou das roupas, aguardando um condutor para ser liberada.

De Berlim a Brasília: O drama da baixa umidade

Embora as causas climáticas sejam distintas, o resultado final na Alemanha e em Brasília é idêntico. No inverno europeu, o uso constante de aquecedores retira a umidade dos ambientes internos, criando um ar artificialmente seco. Já no Distrito Federal, entre os meses de julho e setembro, a massa de ar seco estacionada sobre a região reduz a umidade a níveis críticos, transformando a capital brasileira em um laboratório a céu aberto de física eletrostática.

“A pele seca tem uma resistência elétrica maior, o que facilita o acúmulo de carga. Quando tocamos em um objeto metálico ou em outra pessoa, a diferença de potencial elétrico é equalizada instantaneamente por meio de uma centelha.”

Por que o choque dói?

A voltagem envolvida em um choque estático pode ser surpreendente, chegando a ultrapassar os 3.000 volts. No entanto, a corrente elétrica ($I$) é extremamente baixa e dura apenas frações de segundo, o que torna o evento inofensivo para a saúde de pessoas saudáveis, embora extremamente desconfortável e irritante.

Estratégias para “descarregar” sem sofrimento

Para evitar que sua rotina se torne uma sucessão de pequenos sustos elétricos, algumas medidas práticas baseadas na física podem ser adotadas:

  1. Hidratação intensiva: uma pele bem hidratada é mais condutiva e ajuda a dissipar a carga antes que ela se acumule. O uso de loções hidratantes é essencial em Brasília e no inverno europeu.
  2. Roupas de Fibras Naturais: Tecidos sintéticos como poliéster e nylon são campeões em gerar eletricidade estática por atrito. Prefira o algodão e o linho, que mantêm melhor a umidade.
  3. Umidificação do Ambiente: O uso de umidificadores ou mesmo colocar uma toalha úmida próxima às fontes de calor ajuda a tornar o ar mais condutivo dentro de casa.
  4. Técnica de Aterramento: Antes de tocar em um metal ou em alguém, toque na parede com a palma da mão aberta. A alvenaria ajuda a descarregar o excesso de elétrons de forma mais lenta e indolor.
  5. Cuidado com os Calçados: Solas de borracha isolam você do chão, impedindo que a eletricidade estática flua para a terra. Calçados com solado de couro podem reduzir a incidência de choques.

Ao compreender que esses estalos são apenas a física tentando encontrar o equilíbrio, fica mais fácil lidar com o “clima hostil” das grandes secas. Afinal, em tempos de isolamento, a única coisa que não queremos é que o contato humano venha acompanhado de uma faísca indesejada.

Redação com web

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