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Dólar abaixo de R$ 5: veja os fatores que explicam o fortalecimento do real
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Brasil/Mundo

Dólar abaixo de R$ 5: veja os fatores que explicam o fortalecimento do real

Redação com web

O real tem se fortalecido frente ao dólar devido a uma combinação de fatores externos e internos. No cenário global, o enfraquecimento da moeda americana tem levado investidores a buscar mercados emergentes como o Brasil. Internamente, o país se beneficia de juros elevados, atraindo capital estrangeiro, além de uma balança comercial forte impulsionada por exportações de commodities como petróleo, minério e produtos agrícolas. Mesmo com a expectativa de queda gradual dos juros, o Brasil segue atrativo, apoiado também por bons níveis de investimento estrangeiro e altas reservas internacionais.

O mercado financeiro tem acompanhado um movimento de fortalecimento do real frente a moedas fortes. Apesar do cenário internacional complexo, a moeda brasileira tem se destacado com uma das melhores performances recentes. Para entender a dinâmica que sustenta o câmbio no atual patamar, é preciso observar uma combinação de fluxo de capital estrangeiro, política monetária, balança comercial e o cenário geopolítico.

De acordo com Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o enfraquecimento da moeda americana tem raízes externas recentes. “Desde que Donald Trump assumiu a presidência, nós estamos observando um enfraquecimento do dólar, muito por conta de uma perda do excepcionalismo norte-americano, uma leve deterioração das instituições”, explica o economista. Com isso, investidores passaram a buscar mercados emergentes, beneficiando países como Brasil, Coreia do Sul e Chile com a entrada de fluxo de capital.

Balança comercial e atratividade interna

No cenário doméstico, a força do real é sustentada por pilares sólidos na economia e no mercado financeiro. O diferencial de juros brasileiro tornou o país atrativo para o capital estrangeiro, enquanto os ativos locais em dólar continuam sendo considerados baratos.

Além disso, o Brasil se beneficia diretamente da alta das commodities. Sung destaca que os preços do petróleo acima de 100 dólares são extremamente favoráveis à balança comercial do país, que é um grande exportador do produto. Esse fator, somado ao crescimento do volume exportado de minério de ferro e produtos agrícolas, fortalece a balança comercial, trazendo um alívio para o dólar com a forte entrada da moeda americana no país.

Outro ponto que joga a favor da balança é a dinâmica interna: a expectativa é que a atividade econômica brasileira cresça menos em 2026 na comparação com 2025, o que deve contribuir para uma desaceleração das importações.

O papel dos Bancos Centrais e o fluxo de investimentos

Em relação à política monetária global, o mercado vive uma expectativa sobre como as instituições reagirão às pressões inflacionárias de curto prazo. A perspectiva é que o Banco Central Europeu e o Banco Central dos Estados Unidos mantenham os juros nos atuais patamares até compreenderem o comportamento da inflação após os recentes conflitos.

No Brasil, a expectativa é de que o Banco Central reduza os juros de forma cautelosa.

Embora esse movimento diminua o diferencial de juros em relação ao exterior, Sung avalia que isso não fará uma pressão extra sobre o dólar, pois esses pontos já estão bem precificados pelo mercado. O Brasil deve continuar sendo um campo bastante atrativo para investimentos.

A entrada de recursos externos também mostra sinais de resiliência. O investimento estrangeiro direto (IED) apresentou melhora nos últimos meses, situando-se em torno de 3,24% do PIB. O país conta ainda com um importante amortecedor contra a volatilidade global: as reservas internacionais, que atingiram o nível robusto de 371 bilhões de dólares em fevereiro.

Redação com web

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