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Desigualdade: Brasil lidera ranking de bilionários na América Latina, aponta Oxfam
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Desigualdade: Brasil lidera ranking de bilionários na América Latina, aponta Oxfam

Redação com web

A Oxfam aponta que a riqueza dos bilionários cresceu de forma recorde em 2025, aprofundando a desigualdade global: enquanto o patrimônio dos super-ricos avança rapidamente, metade da população mundial segue na pobreza. No Brasil, a concentração de renda é extrema e reforçada por um sistema tributário regressivo, que pouco tributa grandes fortunas e dividendos. O relatório alerta que esse acúmulo excessivo de riqueza amplia a influência política e o controle da mídia por bilionários, enfraquece a democracia e contribui para o retrocesso de direitos, defendendo como solução a adoção de impostos progressivos, limites ao lobby econômico e políticas públicas de redução das desigualdades.

A riqueza global dos bilionários saltou mais de 16% em 2025, atingindo o patamar histórico de $ 18,3 trilhões. O crescimento, três vezes mais rápido do que a média dos últimos cinco anos, foi detalhado no relatório “Resistindo ao Domínio dos Ricos”, divulgado pela Oxfam nesta quarta-feira, 14, na abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos. Enquanto o topo da pirâmide acumula recordes, metade da população mundial vive na pobreza.

  • Fortuna dos super-ricos cresceu 81% desde 2020;
  • No Brasil, 66 bilionários detêm $ 253 bilhões, a maior fortuna da América Latina;
  • Número de bilionários superou 3.000 pela primeira vez; Elon Musk atingiu a marca de meio trilhão de dólares;
  • Bilionários possuem mais da metade das maiores empresas de mídia e todas as redes sociais globais.

A nova aposta da ‘fábrica de bilionários’ do Brasil

Concentração extrema no Brasil e reforma tributária

O Brasil permanece como o epicentro da concentração de renda na região, reunindo o maior número de bilionários da América Latina e do Caribe. Esse cenário convive com um sistema tributário historicamente regressivo, no qual a carga recai sobre o consumo e os trabalhadores, penalizando proporcionalmente mulheres, pessoas negras e famílias de menor renda.

Para Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil, a desigualdade é resultado de escolhas políticas. “Quando poucos concentram tanta riqueza e pagam proporcionalmente menos impostos, toda a sociedade perde”, afirma. Embora a reforma do imposto de renda tenha ampliado a isenção para a base, a entidade defende que o País ainda precisa avançar na taxação de dividendos e grandes fortunas para reduzir desigualdades históricas.

A influência política e o controle da mídia

A Oxfam alerta para um “déficit político perigoso” causado pela lacuna entre os super-ricos e o restante da população. Estima-se que um bilionário tenha 4.000 vezes mais probabilidade de ocupar cargos políticos do que um cidadão comum. O relatório aponta que a gestão de Donald Trump nos EUA impulsionou essa tendência por meio de cortes tributários para a elite e do incentivo às ações de inteligência artificial.

Além do poder institucional, o controle das narrativas está concentrado. Figuras como Jeff Bezos (Washington Post), Elon Musk (X) e Patrick Soon-Shiong (Los Angeles Times) dominam o setor de comunicação. Na França, o bilionário Vincent Bolloré controla a CNews, reformulada como uma versão francesa da Fox News. No Reino Unido, quatro famílias controlam três quartos da circulação de jornais.

Retrocesso democrático e social

O documento ressalta que o aumento da desigualdade está diretamente ligado à erosão democrática. Em países altamente desiguais, as chances de retrocesso do Estado de Direito são sete vezes maiores. Em 2024, as liberdades civis registraram o 19º ano consecutivo de declínio.

“Os governos estão fazendo escolhas erradas para agradar à elite e defender a riqueza, enquanto reprimem os direitos das pessoas”, declarou Amitabh Behar, diretor executivo da Oxfam Internacional. A entidade estima que o acréscimo de $ 2,5 trilhões na riqueza dos bilionários apenas no último ano seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes.

A Oxfam defende que os países priorizem planos nacionais de redução da desigualdade, tributação progressiva eficaz e barreiras rígidas contra o lobby político de grandes fortunas, garantindo a independência da mídia e a proteção das liberdades de associação e expressão.

Redação com web

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