Delegada é presa com namorado, chefe do PCC
Presa temporariamente
A delegada da Polícia Civil de São Paulo Layla Lima Ayub foi presa temporariamente, nesta sexta-feira (16/1), pela Operação Serpentes, por suspeita de envolvimento pessoal e profissional com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ela é investigada pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
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O namorado dela, Jardel Neto Pereira da Cruz — conhecido como "Dedel" e apontado como uma das lideranças da organização criminosa na Região Norte e chefe do tráfico de armas e drogas de Roraima —, também foi detido. O casal foi capturado na pensão onde morava, na capital paulista.
O ponto central da investigação é o exercício irregular da advocacia. Apenas nove dias após tomar posse como delegada, Layla teria atuado como advogada em uma audiência de custódia em Marabá (PA), em 28 de dezembro, para defender um integrante do PCC preso por tráfico e associação criminosa. A prática é terminantemente proibida pelo Estatuto da Advocacia e por normas estaduais para ocupantes do cargo de delegado.
Além disso, as autoridades destacaram a "audácia" do casal, com Dedel acompanhando a namorada na cerimônia de posse dela, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, evento que contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na ocasião, o líder da facção estava em liberdade condicional e descumpriu regras judiciais ao se deslocar do Norte para São Paulo sem autorização.
As investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Corregedoria da Polícia Civil apontam indícios de lavagem de capitais. O casal teria adquirido uma padaria na Zona Leste de São Paulo com dinheiro ilícito, utilizando um "laranja" para ocultar a propriedade. Contratos de aquisição foram encontrados, embora a transferência formal ainda não tivesse ocorrido.
Durante a operação, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo — incluindo acesso à Academia de Polícia Civil, em que a delegada tinha um armário — e de Marabá. A Justiça decretou a prisão dela por 30 dias, podendo ser prorrogada por mais 30 até a conclusão dos trabalhos.
"Corte na carne"
O secretário de Segurança Pública do estado, Nico Gonçalves, afirmou que a instituição está "cortando na própria carne" e que não havia apontamentos negativos contra a aluna durante o curso de formação. "Ela tinha um compromisso com o crime organizado. E não vamos deixar o crime organizado contaminar nossos agentes públicos".
O juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital, determinou a prisão da delegada após investigações apontarem o envolvimento dela com a facção.
Na decisão, que atendeu a uma representação do delegado Kleber de Oliveira Granja, da Divisão de Crimes Funcionais da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, o magistrado alerta que o Brasil está perto de se tornar um "narcoestado".
"De fato, se comprovado que o PCC arregimentou a investigada para passar em um concurso público de delegada de polícia, sobretudo no Estado mais populoso e com o maior quadro de policiais do país, pode-se afirmar, sem qualquer dúvida, que, se já não nos tornamos um narcoestado, estamos a poucos passos disso", disse Mello.