Conflito no Oriente Médio: ‘Devemos nos preparar para o pior’, diz Celso Amorim
O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, afirmou que o Brasil deve se preparar para o pior diante da escalada do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, classificando como “condenável e inaceitável” a morte de um líder em exercício. Em entrevista, ele alertou para o risco de alastramento regional e disse que pretende conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo brasileiro pediu a interrupção das ações militares e defendeu o diálogo como único caminho para conter a crise no Oriente Médio.
O embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta segunda-feira, 2, que o Brasil deve se preparar para o pior em relação ao conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, no Oriente Médio.
“Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável e inaceitável. Devemos nos preparar para o pior”, disse, em entrevista à GloboNews.
Indagado sobre o que seria “o pior”, o embaixador mencionou a possibilidade de o conflito se alastrar pela região. “O aumento vertiginoso das tensões no Oriente Médio, com grande potencial de alastramento. O Irã historicamente fornece armamento para grupos xiitas que estão em outros países, além de grupos radicais”, emendou.
Amorim ainda informou que pretende falar com o presidente Lula nesta segunda. Segundo o embaixador, os dois ainda não conversaram desde o início do conflito no Oriente Médio.
O governo brasileiro prestou solidariedade a países impactados pelos ataques retaliatórios do Irã e pediu a interrupção de ações militares na região do Golfo.
Por meio de nota divulgada no sábado, 28, o Ministério das Relações Exteriores ressaltou que a escalada do conflito representa uma grave ameaça à paz.
O início dos ataques
No sábado, os Estados Unidos e Israel realizaram em conjunto uma grande ofensiva aérea contra alvos militares e estratégicos no Irã, com a alegação de que era necessário destruir o programa nuclear iraniano e responder a ameaças do regime.
Em retaliação, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e bases estadunidenses em diversos países do Oriente Médio.
Os ataques dos EUA e Israel atingiram o topo da liderança iraniana e resultaram na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, confirmada pelo próprio governo iraniano horas depois.
Outras altas autoridades militares, incluindo o chefe do Estado‑Maior e o ministro da Defesa, também morreram.
O conflito ampliou drasticamente as tensões regionais, fechou o Estreito de Ormuz, provocou centenas de mortes no Irã e desencadeou ondas de ataques em vários países do Oriente Médio.