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Cientistas descobrem sétimo sentido que permite humanos sentirem objetos sem o toque
Divulgação
Brasil/Mundo

Cientistas descobrem sétimo sentido que permite humanos sentirem objetos sem o toque

Redação com web

Pesquisadores do Reino Unido identificaram evidências de um possível “sétimo sentido” humano, chamado tato remoto, que permite perceber objetos ocultos sem tocá-los diretamente, por meio de sinais mecânicos sutis transmitidos por materiais como a areia. Em experimentos, voluntários detectaram com boa precisão um cubo enterrado apenas movimentando os dedos próximos à superfície, superando a exatidão de sensores robóticos. A descoberta amplia a compreensão do tato humano e pode inspirar avanços na robótica, na inteligência artificial e em tecnologias de exploração e detecção em ambientes onde a visão é limitada.

Pesquisadores do Reino Unido afirmam que capacidade de seres humanos identificarem a presença de objetos sem tocá-los é uma habilidade chamada “tato remoto”. Estudo pode trazer avanços na robótica.Um grupo de cientistas do Reino Unido defende que os seres humanos possuem um “sétimo sentido”: a capacidade de perceber objetos ocultos sem tocá‑los diretamente – uma aptidão que eles chamam de “tato remoto”.

A descoberta dessa habilidade de percepção documentada pela primeira vez em seres humanos foi inspirada na habilidade de aves costeiras – como o maçarico‑de‑perna-amarela – de detectar presas sob a areia.

O toque remoto permite a detecção de objetos enterrados sob materiais granulares através de sinais mecânicos sutis transmitidos pelo meio, quando um movimento é aplicado nas proximidades, diz o estudo.

O “novo sentido” se somaria ao tato, audição, visão, paladar e olfato, além do chamado “sentido interno”, a propriocepção, que permite ao cérebro reconhecer a posição das partes do corpo sem recorrer à visão. O trabalho foi apresentado na Conferência Internacional IEEE sobre Desenvolvimento e Aprendizagem.

Primeira evidência de tato à distância em humanos

Os pesquisadores identificaram essa capacidade após realizar um experimento comparativo entre robôs e doze participantes humanos. Os voluntários moveram suavemente os dedos sobre a areia, em tocá-la, e conseguiram detectar com alta precisão um cubo oculto ao perceber deslocamentos mínimos na superfície.

“Esta pesquisa revela que os seres humanos podem detectar objetos enterrados na areia antes do contato real, ampliando nossa compreensão sobre até onde o sentido do tato pode chegar”, diz o estudo.

“É a primeira vez que o tato à distância é estudado em seres humanos, e isso muda nossa concepção do mundo perceptivo – o chamado ‘campo receptivo’ – nos seres vivos, incluindo os humanos”, afirma a coautora Elisabetta Versace, professora de psicologia e diretora do Prepared Minds Lab, em comunicado da Queen Mary University.

Melhor desempenho que os robôs

Embora os robôs tenham detectado objetos a uma distância maior durante os testes, sua precisão foi inferior: os humanos alcançaram 70,7% de acertos, enquanto o sensor tátil do robô gerou numerosos falsos positivos, ficando limitado a 40% de precisão.

Isso demonstra que os humanos podem perceber um objeto antes de vê‑lo ou tocá‑lo. “Essas descobertas confirmam que as pessoas podem realmente sentir um objeto antes do contato físico, uma capacidade surpreendente para um sentido que geralmente está relacionado a objetos que entram em contato direto conosco. Tanto humanos quanto robôs tiveram um desempenho muito próximo da sensibilidade máxima prevista com modelos físicos e deslocamento”, diz o estudo.

“É um excelente exemplo de como psicologia, robótica e inteligência artificial podem se combinar, mostrando que a colaboração multidisciplinar pode gerar tanto descobertas fundamentais quanto inovações tecnológicas”, destaca o coautor Lorenzo Jamone, professor associado de robótica e IA no University College London.

Segundo comunicado das universidades, a pesquisa oferece referências valiosas para melhorar a tecnologia assistiva e a detecção tátil robótica. Ao usar a percepção humana como modelo, os engenheiros podem projetar sistemas robóticos que integram sensibilidade tátil natural para aplicações do mundo real, como sondagem, escavação ou tarefas de busca onde a visão é limitada.

Implicações para o futuro da robótica e da IA

O autor principal, Zhengqi Chen, doutorando no laboratório de robótica avançada da Queen Mary University, em Londres, sugere que o achado também pode impulsionar novas tecnologias de detecção na robótica.

“Esses conhecimentos podem servir de base para o desenvolvimento de robôs avançados capazes de realizar operações delicadas, como localizar artefatos arqueológicos sem danificá‑los, ou explorar terrenos arenosos ou granulares, como o solo marciano ou os fundos oceânicos”, afirma.

“A pesquisa abre caminho para o desenvolvimento de sistemas táteis que tornem a exploração de locais ocultos ou perigosos mais segura, inteligente e eficiente”, conclui.

Redação com web

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