CFM quer barrar registro de 13 mil alunos de medicina com notas insatisfatórias
Após resultados insatisfatórios no Enamed 2025, que apontaram que cerca de 13 mil estudantes de medicina se formam em cursos com avaliação abaixo do mínimo exigido, o Conselho Federal de Medicina anunciou que estuda impedir o registro profissional desses formandos. O desempenho ruim, concentrado principalmente em faculdades privadas, acendeu um alerta sobre a qualidade da formação médica no país e pode impedir que esses alunos, mesmo diplomados, atuem como médicos.
Após 13 mil estudantes do último semestre de medicina atingirem resultado insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, o Conselho Federal de Medicina (CFM) pretende impedir que os alunos recebam registro profissional.
A situação teve início a partir das notas do Enamed, prova anual realizada pelo Ministério da Educação (MEC) que testa a qualidade de ensino e dos alunos da área. Divulgados no dia 13 de janeiro, os resultados indicaram que dos 39.256 concluintes de medicina, 13.871 estão se formando em faculdades com conceitos 1 e 2 – ou seja, abaixo da nota mínima aceitável pelo MEC.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação do exame, disse que dos 351 cursos avaliados, 30% ficaram abaixo do satisfatório, enquanto três em cada 10 estudantes receberam resultado “crítico e insuficiente”.
Tendo à vista uma crise de credibilidade na área da saúde, o CFM recebeu os resultados com desagrado e disse que a situação revela um sintoma grave da formação dos profissionais. Partindo do princípio que os alunos não atingiram níveis mínimos de aprovação, o Conselho divulgou a intenção de impedir o recebimento de registro médico e barrar a formação desses alunos.
Mesmo que terminem a graduação, os formandos não conseguiriam se registrar nos Conselhos Regionais de Medicina e, consequentemente, não poderiam atender pacientes. O CFM disse à IstoÉ que está estudando as ações a tomar.
Os números também acenderam o alerta para a quantidade de faculdades particulares que não preenchem requisitos mínimos para uma boa formação profissional. Na esteira do lucro econômico, das 24 instituições de medicina que tiraram nota 1 (conceito crítico), 17 são privadas.