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Careca do INSS tentou vender produtos ao Ministério da Saúde
Lobista chegou a ser recebido pelo menos uma vez por representantes da pasta da Saúde, em janeiro do ano passado - (crédito: Carlos Moura/Agência Senado)
Política

Careca do INSS tentou vender produtos ao Ministério da Saúde

Correio Braziliense

Fraude inss

Investigado como um dos articuladores do esquema bilionário de fraudes em benefícios previdenciários revelado em 2025, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, buscou ampliar sua atuação na área da saúde pública. Ele teria tentado negociar com o Ministério da Saúde a venda de medicamentos à base de cannabis, testes rápidos de dengue e medicamentos infantis, em tratativas que envolveriam cifras milionárias.
 

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Antunes chegou a ser recebido pelo menos uma vez por representantes da pasta da Saúde, em janeiro do ano passado. Apesar do encontro, nenhuma compra foi efetivada pelo governo. Segundo apuração do G1, a Polícia Federal analisa mensagens de WhatsApp que indicam uma estratégia organizada para inserir empresas ligadas ao lobista em contratos públicos, muitas vezes sem licitação.

As conversas, apreendidas durante a investigação, reforçam a suspeita de que o grupo mirava o Ministério da Saúde como um novo campo de atuação. Em decisão proferida na fase mais recente da operação, em dezembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou que a pasta surgia como “nova possível área de atuação da organização criminosa”. O magistrado também determinou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apurasse administrativamente “eventuais irregularidades” envolvendo servidores públicos.

Uma das linhas de investigação aponta que recursos desviados de aposentadorias teriam sido usados para financiar propinas e estruturar empresas de propriedade de Antunes, criadas com o objetivo de disputar contratos na área da saúde. Entre elas está a World Cannabis, voltada à comercialização de produtos derivados da cannabis medicinal.

 

Em dezembro de 2024, mensagens trocadas entre Antunes e seus funcionários tratavam da revisão da Resolução nº 327 da Anvisa, que regula a autorização sanitária para fabricação e importação desses produtos. No mesmo período, o grupo compartilhou a minuta de um Termo de Referência que previa a compra, pelo Ministério da Saúde, de 1,2 milhão de frascos de canabidiol.

No mês seguinte, já em janeiro de 2025, novas mensagens indicam a tentativa de emplacar a venda de testes rápidos de dengue. Assim como no caso do canabidiol, a equipe elaborou um Termo de Referência prevendo a aquisição dos insumos sem a realização de processo licitatório.

Correio Braziliense

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