BYD quer aumentar nacionalização dos carros no Brasil e mira liderança de mercado até 2030
A BYD pretende elevar para 50% o conteúdo local dos veículos produzidos em sua fábrica de Camaçari (BA) até 2027, como parte da estratégia para se tornar a maior montadora do Brasil em vendas até 2030. A empresa acelera a nacionalização da produção, hoje ainda baseada em montagem de kits importados, e investe R$ 5,5 bilhões para ampliar a capacidade da planta, gerar até 20 mil empregos e viabilizar exportações ao Mercosul. Mesmo enfrentando críticas sobre importações e um caso trabalhista já resolvido, a BYD cresce rapidamente no mercado brasileiro e já supera marcas tradicionais em participação de vendas.
A montadora chinesa BYD pretende incluir 50% de conteúdo local nos carros fabricados na fábrica da companhia na Bahia até o final deste ano, disse à Reuters o principal executivo da empresa no Brasil, em meio a um cenário de preocupações da indústria local.

Logotipo da BYD exibido em um carro em uma concessionária em Sant Cugat del Vallès, perto de Barcelona, Espanha, em 12 de setembro de 2025. REUTERS/Albert Gea
BYD mira liderança para 2030
O vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy, disse em entrevista esta semana na fábrica em Camaçari (BA) que a companhia está fazendo a transição para uma cadeia de fornecimento local o mais rápido possível, com o objetivo de se tornar a maior montadora do Brasil em volume de vendas até 2030.

BYD Dolphin Mini nacional – Foto: divulgação
A BYD tem como objetivo atingir 50% de conteúdo local em seus carros produzidos no Brasil até 1º de janeiro de 2027, afirmou. A empresa terminou o mês de janeiro na quinta posição entre as maiores marcas em vendas do Brasil, com uma participação de 6,03% nos emplacamentos de carros e comerciais leves, à frente da tradicional Toyota. Um ano antes, a participação da BYD era de 4,12%, na nona posição, segundo dados da associação de concessionários, Fenabrave.
“Chegamos aqui em uma velocidade muito rápida, uma velocidade que precisamos manter para alcançar essa meta”, disse Baldy. O Brasil é o maior mercado da BYD fora da China. Desde outubro, a BYD produziu cerca de 25.000 carros na fábrica que ocupa mais de 4 milhões de metros quadrados em uma área deixada pela Ford quando a montadora norte-americana desistiu de fabricar no Brasil. Camaçari inclusive rebatizou uma avenida próxima da fábrica, trocando o nome de Henry Ford para BYD.

Fábrica da BYD em Camaçari (BA) – Foto: Divulgação
De importações a exportações
O aumento do conteúdo local permitirá que a montadora chinesa possa também exportar do Brasil para países vizinhos do Mercosul a partir deste ano, disse Baldy. Enquanto a indústria local e grupos trabalhistas reclamam que a BYD tem dependido fortemente de importações e tarifas temporariamente baixas, Baldy disse que a montadora está acelerando a produção local, com a promessa de gerar 20.000 empregos diretos e indiretos no Brasil.

Fábrica da BYD em Camaçari (BA) – Foto: Divulgação
A fábrica de Camaçari atualmente monta carros a partir de unidades importadas “semi-desmontadas” (SKD), beneficiando-se de uma isenção de impostos de importação que acabou de expirar. A marca solicitará uma cota adicional estendendo a isenção até meados deste ano, disse Baldy, citando que a abordagem SKD é “um regime transitório”. Segundo ele,”o carro tem que ser fabricado aqui, com componente local, para que seja viável econômica e financeiramente”, afirmou.
As instalações locais de estamparia, soldagem e pintura da fábrica baiana estão próximas da conclusão, disse Baldy. Essa expansão em andamento faz parte da primeira fase de investimento da empresa no Brasil, totalizando R$5,5 bilhões, que visa ampliar a capacidade da planta para 300 mil veículos por ano – a partir de 150 mil, estimada até o fim de 2026.

Fábrica da BYD em Camaçari (BA) – Foto: Divulgação
Caso trabalhista
O complexo de Camaçari já emprega cerca de 5.000 pessoas, incluindo aproximadamente 2.300 funcionários da BYD e 2.500 trabalhadores de empresas de construção e prestadores de serviços. A chegada da fabricante na Bahia foi marcada no ano passado por uma investigação trabalhista por conta de problemas ocorridos na construção da fábrica.

Fábrica da BYD – Foto: REUTERS/Adriano Machado
No fim de 2025, procuradores disseram que a fabricante e empreiteiras haviam resolvido o caso, concordando em pagar R$ 40 milhões em indenizações. Baldy disse que o termo de ajustamento de conduta com os promotores trabalhistas foi assinado pelas empreiteiras responsáveis pela realização da obra na fábrica.