Barril do petróleo chega a encostar em US$ 120 com escalada da guerra com Irã; bolsas despencam
Os preços do petróleo dispararam com a escalada da guerra no Oriente Médio, chegando perto de US$ 120 por barril, com forte alta do West Texas Intermediate e do Brent. Ataques a campos petrolíferos no Iraque e reduções de produção em países do Golfo aumentaram o temor de falta de oferta, agravado pela suspensão do tráfego no Estreito de Ormuz. Diante da crise, países do G7 estudam liberar reservas estratégicas para conter os preços, enquanto bolsas globais caíram e analistas alertam para risco de inflação e impacto na economia mundial.
Os preços do petróleo dispararam 30% nesta segunda-feira (9), se aproximando de 120 dólares por barril, diante dos temores provocados pela guerra no Oriente Médio, que entra em sua segunda semana sem qualquer sinal de trégua. Já as bolsas globais despencavam.
Perto das 8h, o barril de West Texas Intermediate (WTI), principal referência no mercado americano, subia 12,95%, a US$ 102,67, a caminho do maior salto de todos os tempos em um único dia. Mais cedo, chegou a operar em alta de 30%, a 119,48 dólares por barril. O Brent do Mar do Norte, contrato de referência europeu, avançava 13,08%, a US$ 104,81 por barril, depois de atingir cotação superior a US$ 119 dólares.
Nos últimos dias, foram registrados ataques contra campos de petróleo no sul do Iraque e na região autônoma curda do norte iraquiano, o que provocou um corte na produção. Emirados Árabes Unidos e Kuwait também reduziram a produção em meio aos ataques iranianos contra seus territórios.
Os países do G7 estudam recorrer de forma coordenada às suas reservas estratégicas de petróleo para conter a escalada dos preços. Uma fonte do governo francês confirmou que a opção será discutida em uma videoconferência dos ministros das Finanças.
A nomeação de Mojtaba Khamenei para suceder seu pai Ali Khamenei como líder supremo do Irã também impulsionou os preços, sinalizando que a linha dura continua firmemente no comando em Teerã, uma semana após o início do conflito com os Estados Unidos e Israel. “Com a nomeação do filho do falecido líder como novo líder do Irã, o objetivo do presidente dos EUA, Donald Trump, de mudança de regime no Irã tornou-se mais difícil”, disse Satoru Yoshida, analista de commodities da Rakuten Securities.
O avanço dos preços perdia certa força depois que o Financial Times informou que os ministros das finanças do Grupo dos Sete (G7) e a Agência Internacional de Energia discutirão nesta segunda-feira uma liberação conjunta de reservas de petróleo de emergência, e a Saudi Aramco ofereceu fornecimento imediato de petróleo bruto por meio de uma série de licitações.
“A menos que os fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz sejam retomados em breve e que as tensões regionais diminuam, é provável que a pressão de alta sobre os preços persista”, disse Vasu Menon, diretor-gerente de estratégia de investimentos da OCBC em Cingapura.
‘Imposto sobre a economia global’
O tráfego no Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do petróleo e do gás consumidos em todo o mundo, está suspenso desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
Com a perspectiva de que os preços da energia permaneçam elevados por um longo período, surgiu o temor de uma onda inflacionária que poderia impactar a economia global.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou o aumento no preço do petróleo diante da importância de eliminar “a ameaça nuclear do Irã”.
“O aumento de curto prazo dos preços do petróleo, que cairão rapidamente quando terminar a destruição da ameaça nuclear do Irã, é um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. “APENAS OS TOLOS PENSARIAM O CONTRÁRIO!”, acrescentou Trump.
Analistas alertaram, no entanto, para um impacto severo na economia mundial.
“O choque mais profundo está se espalhando pela cadeia produtiva”, afirmou Stephen Innes, da SPI Asset Management. Segundo o analista, “o petróleo acima de 100 dólares não é apenas uma alta no preço das commodities. Ele se torna um imposto sobre a economia global”.
Bolsas
A Bolsa de Seul, que até o início do conflito registrava um desempenho forte graças às empresas de tecnologia, fechou a segunda-feira em queda de 5,96%, enquanto Tóquio recuou 5,2%.
As Bolsas de Hong Kong, Xangai, Taipé, Sydney, Singapura, Manila e Wellington também fecharam em queda nesta segunda-feira.
As Bolsas europeias abriram em queda de mais de 2%.
Os três principais índices de Wall Street registraram queda de mais de 2% na semana passada, enquanto o dólar recuperou parte de seu valor devido à condição de investimento refúgio.