Avanço de Flávio nas pesquisas é efeito da ‘incapacidade’ de Lula, diz estrategista
Pesquisas recentes de intenção de voto, como as da Atlas/Bloomberg, Datafolha e Genial/Quaest, mostram crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) e redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial de 2026, com cenários de empate técnico, especialmente no segundo turno. Para o estrategista Felipe Soutello, esse avanço da oposição ocorre mais pela queda de aprovação do governo e aumento da rejeição a Lula — influenciados por questões econômicas e crises políticas — do que por uma consolidação da candidatura de Flávio, indicando um cenário semelhante ao das eleições de 2022, marcado pela disputa entre rejeições dos principais candidatos.
As mais recentes pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2026 apontaram que o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cresceu na preferência do eleitorado. Porém, para Felipe Soutello, estrategista da campanha presidencial de Simone Tebet (MDB) e idealizador da chapa Lula-Alckmin, o cenário representa mais uma incapacidade de manter ou crescer a aprovação por parte do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que a consolidação da chapa bolsonarista.
“O que a pesquisa demonstra, na verdade, é um crescimento da candidatura da família Bolsonaro em razão da incapacidade do governo, nesse momento, de aumentar sua aprovação”, sustenta o especialista.
O levantamento Atlas/Bloomberg divulgado no final de fevereiro indicou que Lula caiu 3,8 pontos na principal estimulação de primeiro turno, enquanto Flávio cresceu 2,9. O petista aparecia com 45% das intenções de voto contra 37,9% do adversário.
Na mesma linha, a pesquisa Datafolha do dia 7 de março mostrou que um eventual segundo turno entre os dois postulantes renderia empate técnico — considerado a margem de erro de dois pontos porcentuais –, com Lula pontuando 46% e Flávio 43%. Essa diferença já foi de 15 pontos porcentuais em pesquisas anteriores.
Para selar a tríade, a sondagem da Genial/Quaest apresentada nesta quarta-feira, 11, apontou empate técnico em diversos cenários de primeiro turno, enquanto projeta a mesma porcentagem para Lula e Flávio em uma possível segunda fase.
O emparelhamento dos candidatos também se repete nos índices de rejeição: ambos são os nomes mais conhecidos e os mais rejeitados. Segundo Soutello, o aumento da desaprovação da atual gestão motiva diretamente a musculatura da chapa bolsonarista, uma vez que Flávio postulou-se como o candidato mais factível da oposição.
“A desaprovação e a rejeição ao governo cresceu. Em contrapartida a isso, há um crescimento da alternativa que se coloca como viável [Flávio]”, diz o estrategista. Nesse sentido, Soutello explicou à IstoÉ que o diagnóstico das pesquisas recentes remete a uma “consolidação das rejeições”.
Pesquisas apontam repetição de 2022
Pesquisas de opinião constatam que, especialmente a partir do segundo semestre 2025, a desaprovação ao governo Lula cresceu significativamente. Nos medidores atuais, mais da metade do povo brasileiro reprova a atual gestão, contra cerca de 44% de aprovação.
Para Soutello, há múltiplos fatores que explicam a rejeição, com destaque para o baixo poder de compra dos cidadãos. Apesar dos bons indicadores econômicos e situação de pleno emprego no Brasil, a percepção popular é de juros altos e aumento das dívidas, uma vez que parte das medidas governamentais ainda não surtiu efeito na leitura do eleitorado.
Aliado a isso estão as crise institucionais do caso Master e as fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que atrapalham a imagem do Palácio do Planalto. Os escândalos envolvem figuras dos mais diversos espectros políticos, mas é inevitável que o maior peso recaia sobre o Executivo. “A crise de corrupção atinge o Executivo. O governo é que, em primeiro lugar, sente os efeitos disso”, entende o especialista.
Esta conjectura desfavorável ao governo Lula impulsiona a oposição, que cresce mais devido à rejeição do petista do que pela personalidade de Flávio. “O governo não consegue melhorar os seus indicadores de ‘ótimo e bom’. Para se ter ideia, menos do que 35% de ‘ótimo e bom’ torna muito difícil a reeleição”.
“Todos os candidatos de oposição ao presidente Lula têm crescimento nas pesquisas. Tanto faz quem é o nome”, diz Soutello.
A avaliação derivada das pesquisas aponta para uma repetição da corrida de 2022, em que Lula e Jair Bolsonaro (PL) disputaram mais pela “lógica das rejeições” do que pela “lógica das escolhas”. Isso explica os recentes acenos de Flávio, que busca se apresentar como um “Bolsonaro moderado” e conquistar eleitorado mais amplo do que a bolha do pai.
“Não acho que já existam instrumentos para afirmar a consolidação da candidatura individual do Flávio: a família Bolsonaro cresce em razão da rejeição consolidada do presidente Lula”, finaliza o estrategista.