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Atlas: após Carnaval de Lula, Flávio cresce entre evangélicos
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Política

Atlas: após Carnaval de Lula, Flávio cresce entre evangélicos

Redação com web

Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg aponta que Flávio Bolsonaro lidera entre eleitores evangélicos com 61,2% das intenções de voto, contra 23,3% de Luiz Inácio Lula da Silva, ampliando vantagem em relação a janeiro. O governo é desaprovado por 74,2% desse segmento, que representa 26,9% da população. Analistas avaliam que o desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval, com ala considerada pejorativa a evangélicos, pode ter gerado desgaste político para Lula junto a esse público.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) atingiu 61,2% das intenções de voto dos eleitores evangélicos para o primeiro turno da eleição presidencial, contra 23,3% do presidente Lula (PT). Os dados são de pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira, 25.

O instituto mostrou filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com 55,3% no segmento, ante 25% do petista no mês de janeiro. O avanço em um mês superou a margem de erro da pesquisa, que é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos.

Para a comparação, utilizamos o mesmo cenário, em que Lula e Flávio enfrentam os governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), o líder do MBL Renan Santos (Missão) e o ex-ministro Aldo Rebelo (DC).

O governo federal é desaprovado por 74,2% dos evangélicos, segundo a AtlasIntel, número que projeta as dificuldades que Lula terá para ganhar votos no grupo, que concentra 26,9% da população brasileira.

Ressaca de Carnaval

As entrevistas da pesquisa foram realizadas entre 19 e 24 de fevereiro, imediatamente após o Carnaval, quando a escola de samba Acadêmicos de Niterói desfilou em homenagem a Lula no Carnaval, com presença do mandatário na Marquês de Sapucaí (RJ), e apresentou uma ala que representou evangélicos, integrantes do agronegócio e defensores dos “valores tradicionais da família” de forma pejorativa.

Roteiro da ala 'Neoconservadores em conserva', apresentada pela escola Acadêmicos de Niterói no desfile que homenageou Lula

Apresentação da ala enviada pela agremiação à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro)

Como mostrou a IstoÉ, pastores, pesquisadores da religião e parlamentares evangélicos — mesmo mais próximos do governo — entenderam que a representação gerou desgaste político para Lula e o PT. Governistas negaram.

O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), pastor da Assembleia de Deus Madureira, afirmou que houve “arrogância” e incapacidade de falar fora da “bolha” por parte do Palácio do Planalto.

Para Vinícius do Valle, autor do livro “Entre a religião e o lulismo” (Editora Recriar, 2019) e ex-diretor do Observatório Evangélico, o desfile acenou a “uma base convertida, que vê com maus olhos segmentos sociais refratários ao PT”, mas “para os evangélicos que o presidente precisa atrair, o efeito foi desastroso”.

Alexandre Gonçalves, pastor da Igreja de Deus que participou de campanhas eleitorais como conselhero, disse que jamais teria indicado o mandatário a ir ao desfile. “É um segmento onde Lula sempre teve rejeição elevada, conseguiu reduzi-la ao longo de seus governos, mas ela voltou a ser alta. Ele só tinha a perder”, disse à IstoÉ.

Criticada por pastores evangélicos, ala da Acadêmicos de Niterói satirizou 'família conservadora' durante desfile em homenagem a Lula (PT)

Criticada por pastores evangélicos, ala da Acadêmicos de Niterói satirizou ‘família conservadora’

Redação com web

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