Ao sugerir tarifas contra Brasil, governo Trump cita recorde de desmatamento em governo Bolsonaro
Aumento do desmatamento, atingindo o pico em 2021, ainda sob a gestão de Bolsonaro.
No documento do escritório de representação comercial americano que propôs tarifas de 25% contra produtos importados brasileiros, há citação específica para a parte do desmatamento como um dos motivos.
Um dos principais índices citados é um aumento do desmatamento, atingindo o pico em 2021, ainda sob a gestão de Bolsonaro.
'Como o Brasil não conseguiu aplicar — e até mesmo, às vezes, revogou — suas leis ambientais, o desmatamento se tornou sistêmico, atingindo o maior nível em 15 anos em 2021. O desmatamento também ocorre em todos os biomas, e o desmatamento ilegal é conhecido por ser particularmente problemático nos biomas Amazônia e Mata Atlântica', destaca o texto.
Apesar disso, o governo Trump reconhece uma tentativa de melhora nas leis ambientais recentemente. Porém, afirma que isso precisa ser aplicado para todos os governos e se tornar uma política de estado.
Os EUA citam que 'há evidências de que alguns níveis subnacionais de governo estão tomando medidas para eliminar ou reduzir incentivos fiscais e outros incentivos dos setores público e privado destinados a desencorajar o desmatamento'.
'Por exemplo, o estado do Mato Grosso, que abrange territórios nos biomas Amazônia e Cerrado, está tentando eliminar benefícios fiscais anteriormente disponíveis para empresas que assinaram acordos voluntários destinados a combater o desmatamento (por exemplo, a Moratória da Soja). Essa ação já teve um efeito inibidor, uma vez que grandes empresas multinacionais começaram recentemente a se retirar da Moratória da Soja, o que pode enfraquecer o impacto do acordo sobre as taxas de desmatamento', afirma o texto.
Porém, o comunicado complementa afirmando que como mostram as estatísticas históricas 'esses esforços podem ser desfeitos por administrações futuras, e as taxas de desmatamento ilegal podem aumentar novamente'.
Para justificar a questão comercial, os Estados Unidos cita que esse desmatamento feito no Brasil prejudica o comércio global ao reduzir os preços dos produtos exportados em solo brasileiro.
'As ações, políticas e práticas do Brasil em relação ao desmatamento ilegal são irrazoáveis porque não conseguem aplicar efetivamente as próprias leis brasileiras, não aplicam mecanismos básicos para garantir a conformidade com essas leis e promovem a concorrência desleal de produtos agrícolas e madeireiros brasileiros com bens produzidos sem essas práticas', diz.
Propostas de tarifas dos EUA contra Brasil são acumulativas? Entenda possíveis novas taxas
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Presidentes Donald Trump e Lula em encontro na Casa Branca, em maio de 2026 — Foto: Divulgação/Lula
Um dia após o anúncio que o escritório da representação comercial dos Estados Unidos propôs uma taxa de 25% contra o Brasil, uma nova tarifa apresentada pelos EUA apareceu no horizonte. O mesmo escritório adicionou o país em uma taxa de 12,5% por falta de combate ao trabalho forçado.
As duas retaliações econômicas de Washington tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio, que estipula uma investigação econômica contra países que estariam realizando práticas para dificultar o comércio americano.
O Brasil foi incluído na faixa de maior tributação ao lado de parceiros comerciais como a China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido.
Segundo a agência americana de comércio, essas economias não apresentam regimes eficazes de controle do trabalho forçado.
O embaixador norte-americano Jamieson Greer declarou que a circulação global de mercadorias produzidas a custos artificialmente baixos gera concorrência desleal com as empresas locais.
Em relação ao Brasil, a investigação concluiu que o país falhou em impor e fiscalizar uma proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado.
O relatório concluiu que o Brasil carece de mecanismos legais e efetivos para impedir o trânsito dessas mercadorias no mercado interno.
As restrições alfandegárias norte-americanas passarão por uma etapa de consulta pública antes da aplicação definitiva sobre os países afetados.
O Escritório Comercial dos Estados Unidos receberá posicionamentos por escrito de representantes do setor privado até o dia seis de julho.
O cronograma oficial divulgado pelo governo americano prevê a realização de audiências públicas em 7 de julho para debater as objeções tarifárias apresentadas pelas empresas.
O governo americano aponta que a medida visa a enfraquecer o financiamento global do trabalho escravo moderno.
No documento enviado contra a abertura do processo, o governo brasileiro afirmou que eventuais sanções unilaterais seriam desproporcionais e injustas contra um país que considera referência global no combate ao trabalho escravo.
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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos — Foto: Divulgação/Casa Branca
É importante deixar claro que as tarifas ainda não são uma certeza. Elas foram propostas por um órgão do governo dos Estados Unidos, porém ainda passarão por audiência e possuem a chance de resposta do governo brasileiro.
Além disso, novas negociações podem ocorrer durante esse tempo para diminuir o valor.
No entanto, caso ambas avancem, elas se acumulariam. O Brasil, então, passaria a ter taxas de 37,5% nos produtos importados, tirando aqueles listados pelos EUA como não tributáveis.
Ficam isentos do imposto de importação produtos agropecuários como carne bovina, café, frutas tropicais, além de petróleo, minérios, terras raras, aviões, fertilizantes e produtos farmacêuticos.
A taxa conjunta se aproxima dos 40% adicionais anunciados pelo governo Trump em 2025, junto ao tarifaço que estipulou 10% mínimo contra todos os países do mundo. Dessa forma, o Brasil chegou a ficar com tarifas de 50%.