Americanas pede para sair da recuperação judicial após venda da Imaginarium e da Puket
A Americanas S.A. pediu à Justiça o encerramento de sua recuperação judicial, iniciada em 2023 após um rombo contábil bilionário, após avançar na reestruturação e concluir a venda da Uni.Co (dona de Imaginarium e Puket) por R$ 152 milhões. A empresa também reduziu significativamente seu prejuízo e seguiu ajustando suas operações, enquanto a Justiça confirmou a venda da unidade após desclassificar uma proposta concorrente por falha formal.
O grupo varejista Americanas S.A encaminhou pedido ao Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro, para que sejam tomadas as medidas necessárias ao encerramento da recuperação judicial.
O pedido ocorre após conclusão da venda da Uni.Co, dona das marcas Imaginarium e Puket por R$ 152 milhões.
A Americanas entrou em recuperação judicial em janeiro de 2023 após a descoberta de um rombo contábil de R$ 20 bilhões, referente a exercícios anteriores – incluindo o ano de 2022, com dívidas no valor aproximado de R$ 40 bilhões.
Nessa quarta-feira, 25, a 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro declarou a Fan Store Entretenimento (BandUP!) vencedora do leilão da UPI Uni.Co, unidade de negócios do Grupo Americanas. A decisão, proferida pela juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca invalidou a proposta da concorrente Solver Soluções Críticas por um erro formal: a entrega de um envelope aberto.
Na véspera, a Americanas divulgou seu balanço de 2025, no qual mostrou que reduziu em 92,5% o prejuízo no quarto trimestre de 2025, para R$ 44 milhões, em mais um avanço no processo de recuperação operacional, sustentado por corte de custos e reestruturação do modelo de negócios, agora mais concentrado nas lojas físicas.
A empresa encerrou 2025 com 1.470 lojas, sendo 906 convencionais e 564 “express”, ante 1.587 em 2024.
Decisão sobre venda da Imaginarium e Puket
A empresa Solver Soluções Críticas chegou a apresentar proposta superior, no valor de R$ 155 milhões, incluindo um pagamento à vista de R$ 70 milhões. No entanto, a oferta foi contestada pelos outros participantes do processo.
A Solver tentou defender a validade de sua oferta, alegando que o fato de haver apenas um envelope fechado (embora não lacrado) não trazia prejuízo ao processo e que sua proposta financeira era 3,5 vezes superior à oferta inicial no que se refere ao pagamento à vista. A própria Americanas, visando ao interesse dos credores, chegou a se manifestar inicialmente pela continuidade do processo competitivo, apesar da falha.
Na decisão, a juíza escreveu que “a exigência de envelope lacrado não é uma mera formalidade estética, mas um instrumento essencial para garantir que o conteúdo permaneça inacessível até o momento oficial, evitando riscos de manipulação ou conhecimento prévio”.
Com a desclassificação da Solver, a proposta da Fan Store foi homologada pelo juízo. A transferência das ações da UPI Uni.Co para a empresa vencedora, segundo a decisão, deverá ocorrer de forma livre e desembaraçada de quaisquer ônus, conforme previsto no Plano de Recuperação Judicial do Grupo Americanas.
A empresa manterá seus acionistas e o mercado informados sobre o desenvolvimento do processo.