ACM Neto recebeu R$ 3,6 mi do Master e Reag; ex-prefeito diz que prestou consultoria
Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que a empresa de consultoria do ex-prefeito de Salvador ACM Neto recebeu cerca de R$ 3,6 milhões em repasses do Banco Master e da gestora Reag Investimentos entre 2023 e 2024. Segundo o documento, os valores movimentados seriam elevados em relação à capacidade financeira declarada da empresa. ACM Neto confirmou os pagamentos e afirmou que se tratam de serviços formais de consultoria realizados quando já não ocupava cargo público, com contratos e pagamento de impostos. O caso está ligado às investigações sobre fraudes bilionárias no Banco Master, cujo dono, Daniel Vorcaro, foi preso por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.
Um relatório produzido pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou que uma empresa de ACM Neto — vice-presidente do União Brasil e pré-candidato ao governo da Bahia — recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e da gestora de recursos Reag. Procurado, o ex-prefeito de Salvador confirmou o recebimento dos pagamentos, referindo-se a eles como serviços de consultoria.
A empresa A&M Consultoria Ltda., da qual ACM Neto é sócio junto com sua esposa, foi constituída em 28 de dezembro de 2022 e possui capital social de R$ 2 mil. Dados da Receita Federal mostram que a empresa tem como atividade principal a prestação de serviços “de consultoria em gestão empresarial” e, como atividade secundária, o “apoio à educação”, segundo o jornal O Globo.
Os relatórios do Coaf apresentam que, entre junho de 2023 e maio de 2024, a empresa do vice-presidente do União Brasil recebeu R$ 1,5 milhão em 11 repasses da Reag e R$ 1,3 milhão em nove repasses do Master, totalizando R$ 2,8 milhões (no período citado). Nesse mesmo intervalo, ACM Neto recebeu de sua própria empresa R$ 4,2 milhões em 14 repasses. Antes disso, em março e junho de 2023, a A&M já havia recebido R$ 422,3 mil do Master e R$ 281,5 mil da Reag.
“Identificamos que, no período analisado, a empresa movimentou recursos expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada”, afirmou o relatório do conselho.
Indagado pela revista IstoÉ, ACM Neto informou, por meio de nota, que constituiu a empresa quando não exercia mais qualquer tipo de cargo público. “A partir de então, prestei serviços a alguns clientes, dentre eles o Banco Master e a Reag”, afirmou. “Isto sempre ocorreu com contratos formais, com o devido recolhimento de impostos e trabalhos de consultoria efetivamente executados, notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional, e materializados em diversas reuniões com o corpo técnico e jurídico dos contratantes”, emendou.
O ex-prefeito de Salvador destacou estar “totalmente seguro em relação a estes fatos”, mas estranhou a causa do “vazamento seletivo e fragmentado de um documento que condensa informações protegidas por sigilo bancário e fiscal”.
O Banco Master tornou-se alvo de investigações da Polícia Federal após a descoberta de um esquema bilionário de fraude no sistema financeiro. Por conta disso, o Banco Central decretou a liquidação da instituição em novembro de 2025.
No dia 4 de março de 2026, Vorcaro foi preso pela segunda vez por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, relator do caso. Segundo a decisão do magistrado, o banqueiro mantinha um “braço armado” para “intimidar adversários”, com uso de “coação por meio de sua milícia”.